Entrevista no jornal O País

José Murta - Director Geral da EXI
José Murta – Director Geral da EXI

Em entrevista ao jornal O País, José Murta, Director Geral da EXI, realça o impacto da Moztech e defende que a tecnologia só poderá ser factor de desenvolvimento se devidamente enquadrada na melhoria e inovação de processos de trabalho nas organizações.

Como é que olham para as primeiras duas edições da Moztech do ponto de vista de impacto?

Em termos de impacto não nos é possível aferir a relação causa efeito directa. Não temos números, não temos método implantado para avaliar.

A Moztech tem sido uma mostra do que se está a fazer a nível nacional, por via da descrição muito positiva dos vários projectos e serviços de TI sendo proporcionados ao mercado, e também por via da comunicação da parte dos vários órgãos do Estado sobre o que têm vindo a desenvolver com base nas TI. Deste modo, a Moztech contribui para conscientizar o mercado das possibilidades. Em suma, cada um mostra os seus grandes feitos, e o que está a fazer.

Também tem servido de plataforma para introduzir toda uma linguagem de entendimento comum sobre o tópico das TI.

O evento com certeza teve um impacto, porém não conseguimos confirmar de que forma ajudou os nossos clientes a melhor decidirem sobre o seu negócio, e que resultados foram obtidos em função da sua participação. De facto, colocar a questão do impacto poderá influenciar a estruturação do evento, e isso poderá ser muito positivo.

Um dos propósitos da Moztech é promover o crescimento através das tecnologias de informação e comunicação. Na vossa avaliação, esse objectivo está a ser alcançado? E de que forma as ideias são transformadas em factor de crescimento?

À partida temos uma forte suspeita de que a tecnologia só por si não promove crescimento e benefício económico, embora algumas destas novas tecnologias criem novas infraestruturas que permitem a rápida comunicação entre pessoas e organizações, e e isso, em princípio, é uma grande facilidade que aparenta gerar um retorno positivo.

Porém, o nosso trabalho consiste em ajudar as organizações a implementar tecnologia para melhorar a qualidade dos seus serviços, produtos, e aumentar o volume dos seus negócios. Ao fim de mais de 20 anos de presença no mercado moçambicano, acabamos por concluir que são as pessoas enquadradas nas organizações, sejam elas privadas ou públicas, quem criam valor económico. A tecnologia só poderá ser factor de desenvolvimento se devidamente enquadrada nos esforços de melhoria e inovação dos processos de trabalho que as pessoas executam nas organizações.

E é aqui onde nos parece que reside o principal problema. No sector público temos a questão das reformas, e nas empresas a inovação de produtos e serviços. As oportunidades são enormes, mas existe um grande desafio que precisa de ser melhor compreendido para que os esforços sejam bem concebidos e rentabilizados.

Não acreditamos que seja eficaz simplesmente transpor as últimas tecnologias para um dado contexto, e esperar que o conjunto organizacional produza um nível de desempenho característico do lugar de onde essa tecnologia foi implementada com sucesso.

Os vendedores evitam estas constatações, mas a nossa experiência reúne evidências de que é preciso reflectir melhor sobre o tema se, de facto, queremos melhorar o impacto das TI.

Num país com muitas limitações de acesso à tecnologia, como é que se pode promover um crescimento inclusivo?

O crescimento inclusivo tem pouco a ver com tecnologia e mais a ver com modelos de desenvolvimento económico. A tecnologia é um factor de produção comparável a outros, e embora possa ter grande impacto isso será sempre determinado por quem pensa num dado momento como as coisas deverão e irão ser feitas.

É certo que as tecnologias de informação, nomeadamente a Internet e as redes sociais criam possibilidades incríveis de divulgação e engajamento, mas isso só por si não chega. Na realidade é preciso liderar o processo de sua aplicação e uso se se deseja um certo controlo sobre os benefícios desejados. A experiência evidencia também que estas tecnologias podem ser usadas com fins menos positivos em termos de um crescimento inclusivo.

O crescimento precisa começar por algum lado. No entanto, se esse esforço for bem concebido e executado, ocorrerá um impacto exponencial pela natureza do número de relações que se estabelecem. Por vezes parece-nos que alguns pensam que se não é para todos de uma vez, então não é inclusivo. É necessário reconhecermos que é melhor começar aplicando princípios fundamentais orientados ao desempenho e à promoção dos melhor capacitados.

Sente que as instituições moçambicanas estão cientes da importância das tecnologias de informação e comunicação como factor de crescimento?

Cientes da sua importância, com certeza. Mas duvidamos que as instituições priorizem as TI e tenham consciência de que, para além da tecnologia, é necessário um engajamento cuidadoso no que toca às mudanças ou transformações organizacionais.

Hoje há todo um conhecimento e saber fazer disponível, e não compreendemos ainda porque há toda esta ilusão de que é possível investir em TI sem o enquadramento apropriado de mudança ou transformação, na expectativa que irão acontecer grandes ganhos na mesma.

É claro que pensar nestes moldes tem grandes implicações, é mais complexo, haverá que pensar no ritmo a que é viável fazer mudança ou transformação organizacional, e bem mais oneroso. Mas no nosso entender não há volta a dar, o caminho de sucesso passa por aqui.

É um desafio bem mais interessante e potencia um conjunto de oportunidades de trabalho em que estamos convictos que, mais tarde ou mais cedo, irá motivar e guiar as acções dos líderes e decisores do nosso Moçambique.

Até que ponto a Moztech pode ajudar na massificação do uso das tecnologias de informação e comunicação como factor de crescimento?

A nossa percepção é que a Moztech está ainda muito orientada para o que se passa a nível global, em termos de potencialidades das novas tecnologias, engajando os provedores globais dessas tecnologias (e estes pagam bem caro para anunciar e comunicar as suas ideias), e também das intenções que os vários dirigentes no sector público e privado têm em relação às mesmas.

Ora para poder avaliar os impactos, é preciso incluir também a descrição, propósitos, métodos e resultados das várias iniciativas, programas e projectos em curso no nosso País, de forma a se poder avaliar e usar o fórum para trocar experiências e ideias que possam influenciar positivamente os resultados.

Depois dos números (expositores, oradores e visitantes) alcançados nas duas primeiras edições, o que se pode esperar desta terceira edição da Moztech?

A Moztech é provavelmente o único evento do género em Moçambique, e dada a relevância das TI no desenvolvimento económico, antevemos que haja uma maior adesão, apesar das dificuldades económicas que Moçambique enfrenta.

Esperamos que ocorra uma evolução em resultado da aprendizagem das edições anteriores, em que os interessados surjam com ideias, produtos e serviços melhor adequados ao nosso mercado.

Que diferencial trazem para esta edição para acrescentar valor e melhor projectar a MozTech.

A EXI apresenta-se nesta edição da Moztech associada à Oracle e a AXIZ Workgroup, com um portfolio de soluções tecnológicas e vários projectos que realizou no mercado. Aqui estamos em linha com o tradicional Moztech.

Como de costume trazemos os nossos clientes, de modo a que possam beneficiar do que será apresentado neste Fórum. Queremos fazer parte da solução na procura de respostas aos desafios de crescimento da nossa economia.